José Eduardo Gramani

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Uma rabeca, uma viola de cocho, um adufe, uma viola de fandango não tem espaço no mundo musical transmitido pelas emissoras de rádio e TV, e raramente conseguem furar a barreira comercial das gravadoras de disco. São instrumentos que ficam restritos a atuar nas festividades religiosas do local, ou nas manifestações folclóricas.
O meu interesse em pesquisar a construção deste instrumento reside em tentar documentar um aspecto de nossa cultura musical que se encontra confinado a seus lugares de origem. Para o pessoal de Paranaguá, a rabeca é um instrumento como qualquer outro. Para nós, que não convivemos com as manifestações culturais daquele povo, a rabeca é um instigante motivo de curiosidade.
O que mais me chama a atenção e aguça mais e mais o meu interesse, é a ausência de padronização na construção das rabecas. Ao contrário dos instrumentos convencionais, a rabeca não tem um tamanho padrão, não tem um formato padrão, nem mesmo um número de cordas e afinação padronizadas. Construir uma rabeca é retirar a caxeta do mato, verificar como estão os veios da madeira e criar; sim, utilizando uma forma desenhada, mas adaptando esta forma às características da madeira. Cada rabeca tem traços personalizados, o que a torna única.
A não-padronização convida à criação. Nós, seres sociais, não estamos acostumados a aceitar os não-padronizados. Para nós, o que já foi testado e aprovado é o que vale, é o que nos dá segurança. Estamos no reinado das fórmulas e métodos, triste. Nada mais pobre do que a nossa realidade. Quando se percebe algo que fuja a esta realidade, não dá prá ficar quieto no cantinho. Então eu até virei fotógrafo. Com modelos maravilhosos como esses foi fácil e emocionante.

José Eduardo Gramani

 


construção


Rabeca


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Conformando


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O Enxó