Ivana Lima

Agradecimentos:
Birinites Freestile, Flor & Cultura,
Alessandra Haro (foto: Ivana)


Um mundo em conflito: político, econômico e ideológico. Mas essa disputa vai muito além disso. Chega a ser existencial. O homem contemporâneo, que é o soldado desta batalha, está submetido a diversas forças opostas que o torcem e o esticam até o seu limite. Necessidade de sucesso, de dinheiro, tempo perdido no trânsito, competitividade, tudo isso são fatores que amarram e massacram o homem moderno. E enquanto ele se esforça diuturnamente para ser alguém integrado ao sistema, esse homem é bombardeado por propaganda, que vai da cerveja até a propaganda de um modo feliz de viver. Tudo é mercado, tudo está à venda, do nascimento à morte, e mesmo após ela, pois o comércio religioso promete recompensas que são pagas adiantadas em dinheiro.
Fragmentado e fragilizado, este homem moderno já não tem princípios, linhas ideológicas, é um náufrago tentando segurar-se em alguma tábua à deriva, e principalmente, esse homem não tem identidade, é um anônimo. Com o passar dos anos, percebe que todas as promessas que lhe são feitas pela sociedade são mentiras. Deste vazio existencial vem o sofrimento, a constatação de que não passa de um número, e que se acaso desapareça, a máquina social se encarregará de fabricar alguém ou algo, igualzinho ao que se foi.
Mas além deste vazio de se saber um anônimo, surge no homem desiludido e descrente, uma necessidade de mudança, de construir-se algo, de pertencer a alguma coisa. Esse ser humano não quer entregar-se passivamente à grande máquina de embalar almas, a rebelião instaura-se no seu peito, e ele reage. Busca para esta empreitada heróica de apenas querer viver, um aliado.
O único possível é um igual a ele, que também quer desesperadamente simplesmente viver. O homem busca o seu sinônimo, busca ser apenas um homem. Para isso ele tem de construir-se, deixar de ser um anônimo, pensar, criar, e não apenas obedecer.
Construir e às vezes destruir para recriar.

Guido Viaro
Escritor/Cineasta


Mãe

 


Paraíso


Confabulamos


Bichos


Fechadura