João Nei


"Nem em corpo nem em alma habitamos o mundo daquelas raças caçadoras do milênio paleolítico, a cujas vidas e caminhos de vida, no entanto, devemos a própria forma dos nossos corpos e a estrutura das nossas mentes. Lembranças de suas mensagens animais devem estar adormecidas, de algum modo, em nós, pois ameaçam despertar e se agitam quando nos aventuramos em regiões inexploradas. Elas despertam com o terror do trovão. E voltam a despertar, com uma sensação de reconhecimento, quando entramos numa daquelas grandes cavernas pintadas."
Joseph Campbel


O Máximo Múltiplo Comum encerra uma trilha de exposições de obras de arte com o Imaginário Primitivo de João Nei. Os conceitos de traço e cor foram enriquecidos pela diversidade de técnicas e do imaginário tecnológico de cada artista.
A sala de exposições se abriu para o público e agora, nesta última mostra, estabelece uma ponte de beleza construída pelo João Nei valendo-se do carvão vegetal, tintas e pigmentos orgânicos para simular o traço da pré-história.
O ambiente de seus quadros remete-nos para a harmoniosa luminosidade da dança do caçador no ritmo dos animais para um paleolítico do agora. Os geométricos encantam o presente como se a vida no passado fosse tão simples que a cor não pudesse descortinar.

A sala de arte não se fecha, ela permanece aberta na consciência capaz de reter as impressões, os tons, a textura junto com a mensagem, a marca humanizada do amor pelo artista.
O MMC tem um elemento divisor na relação entre a arte e o público - a singeleza dos sentimentos e da vida do artista. Voltar para ver o que a sala expõe é uma forma graciosa de estimular o imaginário, o apreço pela pessoa, o reconhecimento do João Nei como um elo nesse passado de história dentro do tempo e da gente.

Cleiton Alves de Oliveira

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